Em uma de suas
catequeses, Papa Francisco comentou a parábola do homem rico e do pobre Lázaro.
O portão da casa do
rico estava sempre fechado ao pobre, que ali jazia esfomeado e coberto de
chagas. Para Francisco, Lázaro representa bem o grito silencioso dos pobres de
todos os tempos e a contradição de um mundo em que imensas riquezas e recursos
estão nas mãos de poucos.
O rico ignora Lázaro
e nega-lhe até mesmo as sobras da sua mesa. “Ignorar o pobre é desprezar Deus”,
disse o Pontífice, pedindo para que aprendamos esta lição.
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| Foto: Google |
Francisco faz notar
um detalhe desta parábola: enquanto o nome do rico não é mencionado, repete-se
cinco vezes o nome do pobre – chama-se "Lázaro" – que, em hebraico,
significa "Deus ajuda".
Compaixão
Assim, Lázaro à porta
é um apelo vivo feito ao rico para que se recorde de Deus, mas o rico não
acolhe este apelo. Ele será condenado não pelas suas riquezas, mas por não ter
tido compaixão de Lázaro.
O resultado desta
atitude é descrito na segunda parte da parábola, que apresenta a situação invertida
de ambos depois da morte: o pobre Lázaro aparece feliz junto de Abraão, já o
rico é atormentado. Agora o rico reconhece Lázaro e pede-lhe ajuda, enquanto em
vida fazia de conta que não o via.
“E quantas vezes
tantas pessoas fazem de conta que não veem os pobres. Para eles, os pobres não
existem”, lamentou o Papa. Antes, negava a ele as sobras da mesa, agora pede
para lhe dar de beber. Mas, como explica Abraão, aquele portão de casa que, na
terra, separava o rico do pobre, transformou-se num 'grande abismo', que é
intransponível.
Salvação
Até quando Lázaro
estava diante de sua casa, havia possibilidade de salvação para o rico, mas
agora que estão mortos, a situação é irreparável. Deus nunca é chamado
diretamente em causa, mas a parábola adverte: a misericórdia de Deus por nós
está ligada à nossa misericórdia em relação aos outros. “Se não abro a porta do
meu coração ao pobre, esta permanece fechada inclusive para Deus, e isso é
terrível”, afirmou.
A este ponto, o rico
pede que Lázaro volte à terra para advertir os seus irmãos em vida que correm o
risco de acabar como ele. Mas para nos converter, recordou o Papa, não devemos
esperar eventos prodigiosos, mas abrir o coração à Palavra de Deus, que nos
chama a amar o próximo. A Palavra de Deus pode ressuscitar um coração árido e
curá-lo de sua cegueira.
Encontro
Nenhum mensageiro e
nenhuma mensagem podem substituir os pobres que encontramos no caminho,
acrescentou Francisco, “porque neles está Jesus que vem ao nosso encontro”. E
citou as palavras de Cristo: “Sempre que deixastes de fazer isto a um destes
pequeninos, foi a Mim que o deixastes de fazer”.
Ouvindo este
Evangelho, concluiu o Papa, todos nós, com os pobres da terra, podemos cantar
com Maria: “Depôs poderosos de seu trono e a humildes exaltou. Cumulou de bens
a famintos e despediu ricos de mãos vazias”.
Fonte: RCC Brasil

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