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terça-feira, 10 de maio de 2016

A Eucaristia é escola de caridade e de solidariedade

Apresentamos as palavras pronunciadas pelo Santo Padre Papa Francisco, antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!    
    
O Evangelho apresenta o relato da instituição da Eucaristia, realizada por Jesus durante a Última Ceia, no Cenáculo em Jerusalém. Na véspera de sua morte redentora na cruz, Ele realizou o que tinha predito: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é minha carne para a salvação do mundo... Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele"(Jo 6,51-56). Jesus toma o pão em suas mãos e diz: "Tomai, isto é o meu corpo" (Mc 14,22). Com este gesto e com estas palavras, Ele atribui ao pão uma função que não a de simples alimento físico, mas torna a sua Pessoa presente em meio à comunidade dos fiéis.

A Última Ceia representa o cume da vida de Cristo. Não apenas a antecipação do seu sacrifício, que será realizado na cruz, mas também a síntese de uma existência ofertada pela salvação de toda a humanidade. Portanto, não basta afirmar que Jesus está na Eucaristia, devemos perceber nela a presença de uma vida doada, e participar dela. Quando pegamos e comemos aquele Pão, nós nos associamos à vida de Jesus, entramos em comunhão com Ele, nos comprometemos em realizar a comunhão entre nós, a transformar a nossa vida em dom, especialmente aos mais pobres.

Esta mensagem de solidariedade nos encoraja a acolher o convite à conversão e ao serviço, ao amor e ao perdão. Encoraja-nos a imitarmos, com a vida, aquilo que celebramos na liturgia. Cristo, que nos nutre com as espécies consagradas do pão e do vinho, é o mesmo que vem ao nosso encontro todos os dias; Ele está no pobre que estende a mão, está no sofredor que implora ajuda, está no irmão que pede a nossa disponibilidade e espera o nosso acolhimento; está na criança que ainda não sabe nada sobre Jesus, da salvação, que não tem fé. Está em todo ser humano, inclusive no menor e indefeso.

Foto: Google
A Eucaristia, fonte de amor para a vida da Igreja, é escola de caridade e de solidariedade. Quem se alimenta do Pão de Cristo não pode ficar indiferente perante aqueles que não têm o pão de cada dia.


Fonte: Zenit / RCC Brasil

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Santidade: um dom oferecido a todos

O Papa Francisco leu em uma de suas audiências gerais na Praça São Pedro uma carta que fala sobre o dom da santidade. Confira!

Foto: Internet

Queridos irmãos e irmãs,

Um grande dom do Concílio Vaticano II foi aquele de ter recuperado uma visão de Igreja fundada na comunhão e de ter interpretado também o princípio da autoridade e da hierarquia em tal perspectiva. Isto nos ajudou a entender melhor que todos os cristãos, enquanto batizados, têm igual dignidade diante do Senhor e têm em comum a mesma vocação, que é aquela à santidade (cfr Cost. Lumen gentium, 39-42). Agora nos perguntamos: em que consiste essa vocação universal a ser santos? E como podemos realizá-la?

1. Antes de tudo devemos ter bem presente que a santidade não é algo que nós procuramos, que obtemos com as nossas qualidades e as nossas capacidades. A santidade é um dom, é o dom que nos dá o Senhor Jesus, quando nos toma consigo e nos reveste de si mesmo, torna-nos como Ele. Na carta aos Efésios, o apóstolo Paulo afirma que “Cristo amou a Igreja e deu a si mesmo por ela, para torná-la santa” (Ef 5, 25-26). Bem, realmente a santidade é a face mais bela da Igreja, a face mais bela: é nos recobrir em comunhão com Deus, na plenitude da sua vida e do seu amor. Entende-se, então, que a santidade não é uma prerrogativa somente de alguns: a santidade é um dom que é oferecido a todos, ninguém é excluído, pelo qual constitui o caráter distintivo de cada cristão.

2. Tudo isso nos faz compreender que, para ser santos, não é preciso necessariamente ser bispo, padre ou religioso: não, todos somos chamados a nos tornar santos! Tantas vezes, depois, somos tentados a pensar que a santidade seja reservada somente àqueles que têm a possibilidade de destacar-se dos assuntos ordinários, por dedicar-se exclusivamente à oração. Mas não é assim! Alguns pensam que a santidade é fechar os olhos e fazer cara de imagem. Não! Não é isto a santidade! A santidade é algo maior, mais profundo que Deus nos dá. Antes, é justamente vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a nos tornar santos. E cada um nas condições e no estado de vida em que se encontra. Mas você é consagrado, é consagrada? Seja santo vivendo com alegria a tua doação e o teu ministério. É casado? Seja santo amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. É um batizado não-casado? Seja santo cumprindo com honestidade e competência o seu trabalho e oferecendo tempo ao serviço aos irmãos. “Mas, padre, eu trabalho em uma fábrica; eu trabalho como contador, sempre com os números, ali não se pode ser santo…” – “Sim, pode! Ali onde você trabalha você pode se tornar santo. Deus te dá a graça de se tornar santo. Deus se comunica a você”. Sempre em cada lugar é possível tornar-se santo, isso é, pode-se abrir a esta graça que nos trabalha por dentro e nos leva à santidade. Você é pai ou avô? Seja santo ensinando com paixão aos filhos ou aos netos a conhecer e a seguir Jesus. E é preciso tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó, é preciso tanta paciência e nesta paciência vem a santidade: exercitando a paciência. Você é catequista, educador ou voluntário? Seja santo tornando-se sinal visível do amor de Deus e da sua presença próxima a nós. Então: cada estado de vida leva à santidade, sempre! Na sua casa, na estrada, no trabalho, na Igreja, naquele momento e no teu estado de vida foi aberto o caminho rumo à santidade. Não desanimem de andar neste caminho. É o próprio Deus que nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que nós estejamos em comunhão com Ele e a serviço dos irmãos.

3. Neste ponto, cada um de nós pode fazer um pouco de exame de consciência, agora podemos fazê-lo, cada um responde a si mesmo, dentro, em silêncio: como respondemos até agora ao chamado do Senhor à santidade? Tenho vontade de me tornar um pouco melhor, de ser mais cristão, mais cristã? Este é o caminho da santidade. Quando o Senhor nos convida a nos tornar santos, não nos chama a algo de pesado, de triste… Tudo outra coisa! É um convite a partilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com alegria cada momento da nossa vida fazendo-o se tornar ao mesmo tempo um dom de amor para as pessoas que estão próximas a nós. Se compreendemos isso, tudo muda e adquire um significado novo, um significado belo, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia.

Um exemplo. Uma senhora vai ao supermercado fazer as compras e encontra uma vizinha e começam a falar e depois vem as fofocas e esta senhora diz: “não, não, não, eu não falarei mal de ninguém”. Isto é um passo para a santidade, ajuda-nos a nos tornar mais santos. Depois, na sua casa, o filho te pede para falar um pouco das suas coisas fantasiosas: “ah, estou tão cansado, trabalhei tanto hoje…” – “Você se acomode e escute o teu filho, que precisa disso!”. E você se acomoda, escute com paciência: isto é um passo para a santidade. Depois termina o dia, estamos todos cansados, mas tem a oração. Façamos a oração: também isto é um passo para a santidade. Depois chega o domingo e vamos à Missa, fazemos a comunhão, às vezes precedida de uma bela confissão que nos limpa um pouco. Este é um passo para a santidade. Depois pensamos em Nossa Senhora, tão boa, tão bela, e pegamos o rosário e o rezamos. Este é um passo para a santidade. Depois vou pelo caminho, vejo um pobre necessitado, paro, pergunto algo pra ele, dou algo a ele: é um passo para a santidade. São pequenas coisas, mas tantos pequenos passos para a santidade. Cada passo para a santidade nos tornará pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em si mesmo, e abertos aos irmãos e às suas necessidades.

Queridos amigos, na Primeira Carta de São Pedro é dirigida a nós esta exortação: “Cada um viva segundo a graça recebida, colocando-a a serviço dos outros, como bons administradores de uma multiforme graça de Deus. Quem fala, faça-o como com palavras de Deus; quem exercita um ofício, cumpra-o com a energia recebida de Deus, para que em tudo seja glorificado Deus por meio de Jesus Cristo” (4, 10-11). Eis o convite à santidade! Vamos acolhê-lo com alegria e apoiando-nos uns aos outros, porque o caminho rumo à santidade não se percorre sozinho, cada um por conta própria, mas se percorre juntos, naquele único corpo que é a Igreja, amada e tornada santa pelo Senhor Jesus Cristo. Sigamos adiante com coragem neste caminho da santidade.

Fonte: RCC Brasil

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O motivo da exaltação da cruz

O Papa Francisco escreveu uma carta para explicar o motivo dos católicos exaltarem a cruz. Nela, o pontífice afirma que não exaltam uma cruz qualquer, mas sim, a cruz de Jesus, pois nela foi revelado o maior amor que a terra já viu.

A necessidade da morte de cruz foi por conta da gravidade do mal que mantinha as pessoas escravas do pecado. Com isso, a cruz exprime duas coisas: a força negativa do mal e toda a onipotência da misericórdia de Deus. Ou seja, a cruz parece decretar a falência de Jesus, porém, na realidade, marca a vitória.

O Papa explica ainda que quando os fiéis olham para a cruz em que Jesus foi pregado, contemplam o sinal do amor infinito de Deus, além de ser a raiz da salvação.

É da cruz que vem a misericórdia de Deus. Através da cruz de Jesus, o maligno foi vencido e a morte foi derrotada, com isso, a vida foi dada ao povo e a esperança reconstituída.

Contudo, é por esses motivos que a igreja católica “exalta” a Santa Cruz, e é também por isso que os católicos fazem o sinal da cruz.

Bendita seja a cruz! - Foto: Internet

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Papa Francisco escreve carta sobre como corrigir atitudes que não são cristãs

Olá irmãos e irmãs, a paz de Jesus!

Todos nós sabemos o quanto é difícil corrigir um irmão quando ele não fez algo bom, porém, é nosso dever como cristão ensiná-lo e guiá-lo a seguir no caminho de Deus e parar de pecar.

O Papa Francisco escreveu uma carta sobre esse assunto para nos ajudar a lidar com essas situações.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho extraído do capítulo 18 de Mateus, apresenta o tema da correção fraterna na comunidade dos fiéis, isto é, como eu tenho que corrigir outro cristão quando ele não faz uma coisa boa. Jesus nos ensina que, se o meu irmão cristão comete um pecado contra mim, me ofende, eu devo ter caridade para com ele e, em primeiro lugar, falar com ele pessoalmente, explicando-lhe que o que ele disse ou fez não é bom. E se o seu irmão não me ouvir? Jesus sugere uma intervenção progressiva: primeiro, voltar a falar-lhe com duas ou três outras pessoas, para ter mais consciência do erro que ele cometeu; se, apesar disso, não aceita a exortação, deve-se apresentar à comunidade; e se não ouvir sequer a comunidade, é preciso fazê-lo sentir a fratura e o distanciamento que ele mesmo provocou, destruindo a comunhão com os irmãos na fé.
As etapas deste percurso mostram o esforço que o Senhor pede à sua comunidade para acompanhar aqueles que erram, a fim de que não se perca. É necessário, antes de qualquer coisa, evitar o clamor da crônica e a murmuração da comunidade - essa é a primeira coisa, evite isso -. “Vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo!” (V.15). A atitude é de delicadeza, prudência,  humildade, atenção para com quem pecou, de maneira a evitar que as palavras possam ferir e matar seu irmão. Porque, vocês sabem, até mesmo as palavras matam! Quando falo mal, faço uma crítica injusta, quando eu "descarno" um irmão com a minha língua, isso é matar a reputação do outro! Mesmo as palavras matam. Prestemos atenção nisso. Ao mesmo tempo, esta discrição de falar com ele sozinho tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. Se há uma conversa entre os dois, ninguém percebe isso e está tudo acabado. É à luz desta necessidade, compreende-se a serie sucessiva de intervenções, que inclui a participação de algumas testemunhas e até mesmo da comunidade. O objetivo é ajudar a pessoa a perceber o que ela fez, e que com a sua culpa ofendeu não apenas um, mas todos. Mas também para nos ajudar a nos libertar da ira e do ressentimento que só fazem mal: a amargura do coração que traz ira e ressentimento, e que nos leva a insultar e agredir. É muito feio ver sair da boca de um cristão um insulto ou uma agressão. É feio. Sabe? Nada de insultos! Insultar não é cristão. Entenderam? Insultar não é cristão.
Na verdade, diante de Deus todos nós somos pecadores e necessitados de perdão. Todos. Jesus, de fato, nos disse para não julgar. A correção fraterna é um aspecto do amor e da comunhão que deve reinar na comunidade cristã, é um serviço recíproco que podemos e devemos fazer uns aos outros. Corrigir o irmão é um serviço, e é possível e eficaz se cada um se reconhece pecador e necessitado do perdão do Senhor. A mesma consciência que me faz reconhecer o erro do outro, antes, me lembra que eu mesmo errei tantas vezes.
Por esta razão, no início da Missa, sempre somos convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com palavras e gestos o arrependimento sincero do coração. E dizemos: “Senhor, tende piedade de mim, Senhor. Eu sou um pecador! Confesso, Deus Onipotente, meus pecados”. E nós não dizemos: “Senhor, tende piedade dessa pessoa que está ao meu lado, ou daqueles, que são pecadores”. Não! Tende misericórdia de mim. Todos somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor. É o Espírito Santo que fala ao nosso espírito e nos faz reconhecer nossas culpas à luz da Palavra de Jesus. E é o mesmo Jesus que convida a todos, santos e pecadores, à sua mesa, nos tirando das encruzilhadas das estradas, das diversas situações vida (cf. Mt 22,9-10). E entre as condições que são comuns dos que participam da celebração eucarística, duas são fundamentais: todos somos pecadores e a todos Deus doa a sua misericórdia. São duas condições que abrem as portas para ir bem à Missa. Devemos nos lembrar sempre disso antes de corrigirmos fraternalmente o nosso irmão.
Peçamos por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, que amanhã celebraremos a festa litúrgica da sua Natividade.