“É a misericórdia que
salva”. Inspirado nesta afirmação do Evangelho de Mateus, o Papa Francisco
conduziu a Audiência Geral e citou a dúvida da “noite escura no coração” de
João Batista, que não entendia o “estilo muito diferente” de agir de Cristo –
“o instrumento concreto da misericórdia do Pai”.
“A justiça que João
Batista colocava ao centro da sua pregação, em Jesus se manifesta em primeiro
lugar como misericórdia. Esta passa a ser a síntese do agir de Jesus, que desta
maneira torna visível e tangível o agir do próprio Deus”.
Uma mensagem muito
clara também para a Igreja, afirmou o Papa: “Deus não mandou seu Filho ao mundo
para punir os pecadores tampouco para destruir os maus. A eles é feito o
convite à conversão para que, vendo os sinais da bondade divina, possam
reencontrar a estrada do retorno”.
Ao recordar novamente
o Evangelho de Mateus, no trecho em que Jesus diz “bem-aventurado aquele que
não vê em mim motivo de escândalo”, o Papa explicou que “escândalo significa
obstáculo”.
“A advertência de
Jesus é sempre atual: também hoje o homem constrói imagens de Deus que lhe
impede de sentir a sua real presença”.
A partir desse aviso,
Francisco elencou 5 destes obstáculos atuais:
1.“Alguns tecem uma fé ‘faça você mesmo’ que
reduz Deus ao espaço limitado dos próprios desejos e das próprias convicções.
Mas esta fé não é conversão ao Senhor que se revela, ao contrário, impede-O de
provocar a nossa vida e a nossa consciência”.
2. “Outros reduzem Deus a um falso ídolo;
usam seu santo nome para justificar os próprios interesses ou até mesmo o ódio
e a violência”.
3. “Para outros Deus é somente um refúgio
psicológico no qual estar seguro nos momentos difíceis: trata-se de uma fé
dobrada em si mesma, impermeável à força do amor misericordioso de Jesus que
conduz em direção aos irmãos”.
4. “Outros ainda consideram Cristo somente um
bom mestre de ensinamentos éticos, um entre tantos na história”.
5. “Finalmente, há quem sufoca a fé em uma
relação puramente intimista com Jesus, anulando o seu impulso missionário capaz
de transformar o mundo e a história.
“Nós cristãos
acreditamos no Deus de Jesus Cristo, e o seu desejo é aquele de crescer na
experiência viva do seu mistério de amor”, afirmou o Papa – e concluiu: “Tenhamos
o compromisso de não colocar nenhum obstáculo ao agir misericordioso do Pai, e
peçamos o dom de uma fé grande para que também nós sejamos sinais e
instrumentos de misericórdia”.
Fonte: RCC Brasil
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